De quem é a culpa pelos cachorros abandonados nas ruas de Ponta Grossa?

ATENÇÃO: ESSE POST NÃO É RECOMENDADO PARA QUEM ODEIA DOGS

Quem já reparou nas ruas do centro de PG ou mesmo nos bairros já pode perceber um problema recorrente em diferentes pontos da cidade: a grande quantidade de cachorros que vivem abandonados.

Às vezes em bando, às vezes sozinhos, a verdade é que em Ponta Grossa é possível encontrar cachorro na rua de todo tipo: macho, fêmea, filhote, idoso, castrado, com cria, pelo curto, pelo longo, orelha levantada, orelha caída, cor única, várias cores, sem raça definida e até mesmo mestiço de outras raças.

A estimativa de especialistas que trabalham diretamente com estes animais é de que na cidade existam cerca de 50 mil animais ao todo, entre os domésticos e os que vivem nas ruas. Desse total, uma grande parcela são aqueles animais sem dono ou casa.

Mas quem é o culpado por este cenário?

Bom, quem apostou em qualquer uma das alternativas acima, sinto informar que errrrrrrrrrou!

ErrrrôôÔ

Seria ótimo se a gente pudesse realmente culpar apenas uma, duas ou até três pessoas por essa situação, mas a resposta certa nesse caso é de que o culpado somos todos nós.

WTF!

WTF?

Sim, pode parecer estranho, mas a culpa é meio que de todo mundo por essa situação. A menos que o prefeito ou a governadora em pessoa tenham abandonado os cachorros que estão nas ruas da cidade, não tem como qualquer autoridade política ser a única responsável por isto.

Como é possível?

Beleza, vamos supor que você está acreditando na minha teoria e quer entender como isso é possível. Bom, então deixa eu te explicar:

Sabe aquele dogzinho abandonado que você sempre encontra na esquina da sua rua, perto do ponto de ônibus ou no Ponto Azul?

Provavelmente, ele foi parar nesse local porque: ou ele foi abandonado por um proprietário irresponsável ou ele é filhotes de um dog abandonado, já nascido e criado nas ruas de PG.

Então a cidade está cheia de catíoros que um dia tiveram uma casinha, mas que por algum motivo foram deixados nas ruas, onde fizeram amigos, arrumaram brigas, rasgaram sacos de lixo, derrubaram latas e fizeram mais catioríneos.

Muitos deles sobrevivem bem e morrem só quando ficam velhinhos, mas uma grande parcela acaba muitas vezes morrendo de frio, de fome ou atropelados.

Isso acontece porque muitas pessoas não entendem o tamanho da responsabilidade que é ter um bichinho em casa.

Um cachorrinho ou um gatinho não pode ser encarado como um brinquedo, que a gente se desfaz quando perde a graça.

Ninguém se desfaz de um membro da família ou amigo só porque a pessoa pode ter algumas características mais trabalhosas de lidas, como ser chata, bagunceira, falar alto, ter restrições alimentares ou um grande potencial para destruição de chinelos.

Então quando a família for receber um novo membro, gatíneo ou catioro, todos precisam estar comprometidos com o cuidado desse pet.

Ele precisa ter um local protegido do tempo para dormir, comida e água fresca todos os dias. É importante manter as vacinas em dia e, principalmente, realizar a castração na data certa.

Pode ser que ele destrua algumas coisas na sua casa, coma algum calçado e faça xixi no sofá… Mas isso faz parte de ter um animalzinho em casa. Se você não está disposto a lidar com situações como estas, faça um favor: não adote nem compre nenhum animal.

Tá bom, já deu pra entender que a culpa é de todo mundo.

Mas não tem nada mesmo que o poder público possa fazer para resolver o problema?

Então, a aposta de muitos municípios tem sido o investimento em castrações, uma forma de garantir que, a longo prazo, a população canina seja menor. Em Ponta Grossa, a Prefeitura hoje conta com o Centro de Referência de Animais em Risco (Crar), que tem capacidade transitória de 150 cães.

Lá, os animais são separados nas categorias: vermelha para animais que acabam de chegar, laranja para aqueles que estão em tratamento, amarela para os que já foram operados, e verde, para os que estão bem, porém ainda não disponíveis para adoção, pois ainda aguardam o resgate dos donos; e azul os já aptos a adoção.

Desde 2015 também vem sendo desenvolvido o programa Castramóvel, que realiza a castração de animais de famílias de baixa renda, em uma estrutura itinerante, que atende as regiões da cidade conforme um cronograma.

Os atendimentos são agendados conforme o cadastro das famílias nas Unidades Básicas de Saúde. Nesse período, já foram realizados mais de 600 procedimentos pelo Castramóvel.

E não tinha como construir um canil na cidade e colocar lá todos esses cachorros que estão na rua?

Essa questão é quase um consenso entre muitos defensores da causa animal, que acabam sendo contrários a criação de um canil.

Porque? Bom, pensem comigo: se mesmo sabendo que o animalzinho vai ficar na rua, correndo o risco de ser atropelado, morrer de fome e frio, muitas pessoas abandonam filhotes ou cachorros mais velhos…imaginem o quanto esses casos de abandono aumentariam com um canil?

Mas o pior é que isso já acontece.

Pergunte a qualquer protetor animal ou voluntário que fica temporariamente com animais até a adoção quantas vezes foram encontradas caixas ou sacolas com ninhadas de filhotes abandonados na porta de casa.

Mas então só nos resta esperar?

Na verdade, todo mundo pode fazer um pouquinho para mudar essa realidade. Você pode:

– contribuir com a castração de algum animal;

– disponibilizar potes com ração e água em áreas públicas ou mesmo na sua calçada;

– disponibilizar roupinhas e cobertas durante o inverno;

– construir casinhas no modelo Cãodomínio

E a mais importante de todas: se você e sua família estiverem dispostos a ter um bichinho de estimação, adote! Se estão cheios de animais nas ruas precisando de um lar, qual o sentido de pagar por um cachorro ou gato?

Os animais que vivem nas ruas ou nascem em condições de abandono, tendem a ser ainda mais carinhosos com aqueles que os acolhem. Eu mesma tenho duas dogs e três gatos em casa, todos adotados ou resgatados de alguma situação de risco. E eu posso garantir que o amor que você recebe de volta deles é muito gratificante.

Dá uma olhada nessa dupla e me diz que não aquece seu coração?

Tina e Milano

Essa vira-lata que parece uma raposa é a Tina. A mãe dela era uma dog abandonada, que foi acolhida numa associação de recicladores. Depois que os filhotes nascerem, eles quase morreram no meio do lixo por conta de uma doença de pele genética, até serem resgatados por uma voluntária, que tratou o problema deles e garantiu que cada um encontrasse um bom lar. Ela está com a gente desde 2014 e ainda é um bebezão. Olha como ela chegou e como ela está:

Tina

Já aquele gato com cara de malandro é o Milano. Ele veio morar com a gente em outubro do ano passado, depois de resgatarmos ele ainda bem filhote em uma pousada em Antonina, no litoral do estado.

O Milano chegou lá escondido no motor da caminhonete de um hóspede e quando a gente se encontrou, foi amor à primeira vista. Ele não passava de uma bolinha de pelo de dois meses quando o trouxemos para PG.

Olha a diferença:

Milano

Quando eles se conheceram, foi assim:

E agora todo mundo vive em harmonia (só é muito difícil conseguir fazer os cinco ficarem no mesmo lugar ao mesmo tempo para uma foto).

Então, o que você está esperando para fazer a sua parte na mudança desse cenário e na realidade desses animais?

Você pode começar por aquele dog ou gato perto da sua casa, ou visitando as páginas dos protetores de animais em PG.

Conhece outros grupos e protetores animais? Compartilha com a gente nos comentários e ajude essa rede de proteção crescer!

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Mariana Galvão Noronha

Mestre em jornalismo, especialista em produção e revisão de conteúdo e trabalha na equipe de comunicação da Prefs de PG.

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